
“As ilhas são diferentes. E quanto mais pequena for a ilha, mais isto é verdadeiro. (…) Esta ilha, por exemplo. Percorre-se de bicicleta de uma ponta à outra. Uma pessoa que caminhasse por cima da àgua podia alcançar a costa numa tarde.”
in “A Praia Roubada“.
Já há alguns anos que tínhamos estas “mini-férias” na manga. E foi desta que “com a questão da crise” resolvemos dar um pulo até Formentera para as mini-férias de junho.
Para quem ficou com as antenas no ar para a “questão da crise” fica já a dica que “NÃO! Em Formentera não se fazem férias baratas”… É já ali, e apesar de até se arranjarem voos “em conta” para Ibiza (em Formentera não há aeroporto), assim que se saí do avião é ver os Euros a sair da carteira… E não são nada poucos!
Na primeira noite ficamos em Ibiza (não vou falar sobre o pouco que conheci pois vou reservar para outro post).
Na manhã seguinte apanhamos o barco para Formentera. O plano inicial? apanhar o Ferry a partir do centro, mas mesmo ao lado do nosso hotel havia um pequeno porto para barco de “excursões”, a partir de onde, por metade do preço, se consegue transporte para o mesmo local.
A viagem para a ilha? Fantástica.

Primeiro dia de férias. Primeiro Sol na cara. Cheirinho a Mar.
E uma paisagem de, por vezes, cortar a respiração.
Navegando entre farois, cruzando com outros barcos.
Valeu a pena apanhar aquele barco mais lento!
Chegados a Formentera, seguimos para o nosso destino: Es Pujols.
Como os nossos dias na Ilha, foram quase sempre iguais (excepto pelos livros, pelo numero de rodas – 2 ou 4 – e pela praia), vou falar um pouco sobre cada um dos locais.
Es Pujols

Para quem procura “descanso mesmo”, Es Pujols não é o melhor destino. É das poucas vilas na Ilha com bares e restaurantes, e talvez a mais turistica.
Nós, apesar de querer descanso, optamos por ficar lá exactamente por isso. Assim tinhamos sempre a hipotese de sair para jantar ou beber um copo.
Tendo lá estado, mantenho a opinião. Os outros locais são mais bonitos, mas apenas os recomendo a quem quer mesmo “ermita’r”.

A sua praia não é nada de especial, quando comparada com as restantes da ilha. Mas tem algo que me fascinou desde o primeiro dia: Muitas garagens de pequenos barcos de pesca!
Vistas ao longe, parecem barracas de madeira abandonadas – quase a cair – que até “ferem” a paisagem. Mas, quando nos aproximamos entramos num novo mundo: o mundo das engenhocas para retirar os barcos da àgua e protegê-los das possiveis “tormentas” que os podem danificar para a vida.

Não existem guardas, e durante os dias que lá estivemos nunca os vimos sair. Por isso um dos luxos a que me dei foi o deambular por entre eles e observar os apetrechos mais de perto.
Para além os barcos, temos os Italianos! De toda a forma e feitio! Durante a noite, enquanto passeamos pela rua principal cruzamos com vários espécimes. Nos restaurantes quase sempre temos um cumprimento e uma ementa em Italiano antes sequer de dizermos “Buenas Noches”, e até alguns dos bares são de Italianos. Sim. Formentera está carregada de Italianos… Não tivesse conhecido a “mascote” da ilha, quase diria que era um Italiano. E que Formentera ficava em Itália!
Resumo… El Pujols é um bom local para “montar tenda”, sair à noite e alugar bicicleta… mas nada além disso.
Enquanto conversávamos com a Sra que vendia os bilhetes para o barco – ainda em Ibiza – uma das coisas que nos disse foi: “Têm de ir à Praia de Midjorn, é a melhor!”.
Tendo ouvido isto, escusado será dizer que no dia seguinte pela manhã a primeira coisa a fazer foi alugar bicicleta e seguir caminho até lá.
E… Sim, a praia é fantástica… No inicio!
Água azul, areia clara, poucas ondas… Para os 21º do dia estava fantástico. Mas, agora já posso dizer que em Formentera há melhor!
É um arenal enorme que cobre quase toda a costa sul da ilha… Mas, sempre do mesmo.

Sendo a primeira praia… foi aqui que conhecemos uma das mascotes da ilha: o lagarto/sardanisca verde!
A sua pele colorida parece a de uma cobra.
São uns “sem vergonha” descarados que não têm medo de ninguem. Quando menos se espera surgem aos dois e aos três. Param e ficam a olhar para nós tipo cachorrinho a pedir festa.
Illetes e Llevant
Um dos taxistas que nos transportou em Ibiza deu-nos outra dica “Têm de ir a Illetes. É a melhor!”. E, a este Sr eu quase dou razão…

Mas… Llevant!
Explicando… Estas praias ficam uma de cada “lado” da ilha, sendo que o lado dos Illetes tem mais ondas, o que faz com que a água não pareça tão cristalina.
Esta praia (assim como Llevant) ao contrário da praia de Midjorn, é meio “recortada”, pelo que se encontram vários recantos.

Subindo a “um morrozito” consegue ver-se uma de cada lado (se bem que na foto não dá bem para perceber as diferenças que refiro). E a lingua de areia/rocha afunila e segue segue segue…
A minha praia favorita? Llevant – claro!

Água mais quentinha e cristalina, rochas e areia qb, ondas muito raras… e o melhor?
Quanto mais próximo de s’Espalmador mais deserta a praia.
Ao fundo sempre um ou outro barco como que a acalmar ainda mais a paisagem…
Bem… uma praia Fantástica mesmo!
Pena haver tantas sitios por conhecer, pois a vontade era ficar naquela durante os dias todos…
Até porque ali já tinha uma amiga!

A outra mascote da ilha: a sardanisca/lagarto castanha.
Passou o tempo a cheirar-me os braços, a passear na minha toalha… e a determinada altura até parecia que já queria vir comigo, tal era a vontade com que ela estava para entrar para a minha mochila!
As Salinas – entre La Savina (o porto) e Es Pujols
Não poderia deixar de falar deste passeio fantástico OBRIGATÓRIO para quem anda por aqueles lados!

Ainda não referi, mas as praias de Illetes e Llevant ficam no Parque Natural de Formentera. O que, para além de muitas coisas mais, significa melhores acessos para bicicletas (resumindo: não andar a pedalar no alcatrão). Para além do pormenor da bicicleta, significa uma serie de peixes (que não vi pois estão em zonas marinhas protegidas) e de aves “protegidas” (para imaginarem a coisa: os cães não podem ir passear em alguns destes caminhos de bicicletas).

Para além da questão de ser Parque Natural e tal, está também o facto de as salinas e o lago quase se confundirem com o mar! Tão azul e ali tão perto!
Cruzamos com N turistas e com N nativos a fazer estes percursos – de bicicleta, a pé ou a correr…
Bem… Dizem que as fotos falam mais que mil palavras, e desta vez é real…
Apenas vos consigo mostrar!
E… ter pena de já lá não estar…
La Mola
Em La Mola fica o Far de la Mola, e, ainda não percebi bem porquê na minha cabeça ia uma imagem tipo “verão azul”… alguém a descer uma estrada de terra batida junto ao mar, a assobiar… e ao fundo um farol!
E… Não, tem nada a ver!
E… Com esta imagem na cabeça dá para imaginar que o Far de la Mola foi uma especie de desilusão.

Este farol nem tinha riscas… E a paisagem por si não era nada de transcendente tendo em conta o que já tinha visto na ilha. É um ponto mais alto sim… e que mais?
O que valeu mesmo neste passeio foi a bela da Moto 4!

Ao contrário do farol, nunca me tinha passado pela cabeça andar numa… E, tentar a primeira vez foi quase por favor. Mas, depois de ter experimentado aquela menina em estrada batida – a ida ao farol ganhou outra cor e outra luz!
Se soubesse que entre a minha casa e o trabalho há uma estrada de terra batida, eu dizia-vos porque é que eu trocava o meu carro.
Ai ai… Já sinto saudades dela…
Mas, regressando ao que interessa: far de la Mola? Ir se não houver mais nada para fazer… Senão, podem ficar a meio do caminho e apreciar as vistas no restaurante “El Mirador”.

Vem em todos os guias e afins apontado como um “Must Do”, e a verdade é que MUST mesmo!
A paisagem é brutal!
Não é preciso muito “Zoom Ocular” para se conseguirem ver os recortes da ilha… E descobrir outros recantos…
Es Calo
Bem… Ir espreitar esta praia não foi fácil… O tempo não era muito (era só de passagem) e a verdade é que adorei perder-me a meio nas estradas de terra batida (foi num dos dias com moto 4).
É uma praia que promete, e ficamos com alguma pena de não ir lá com mais tempo.
Tinha mais gente que as praias Illetes & Llevant, mas por outro lado tinha um pouco de verde.
Se forem para aquelas bandas, parém por lá!
Cap de Barbaria
A imagem que eu tinha na cabeça quando fui a far de La Mola transformou-se em realidade ao chegar ao Cap de Barbaria! Só faltou a bicicleta e o assobio! Ah! E as riscas do farol – claro!

Não sei a história d local… E, visto ao perto, também não é nada de especial… Mas, o fazer kms numa estrada no meio do nada, e de repente ao final ter o Farol em frente ao Mar é um presente para os olhos!
… Em Resumo
Formentera vale a pena.
Não é barato, mas “paga-se” pelo que vale.
… As fotos falam por si, não é?
Quanto ao “Roubar”… Não resisti!
Um dos livros que li nestas férias era sobre uma “praia roubada” numa ilha muito pequena. Os nativos de um lado e do outro estavam zangados, e “roubavam” a areia. Adorei ler o livro lá! Tinha tanto a ver com Formentera (pelo menos na minha imaginação).
Não é por mais nada… É mesmo só por isso que dei este titulo ao post… Porque se eu pudesse também roubava aquela ilha a Espanha e trazia-a para aqui para ao pé de mim… (com a moto 4, claro!!)




