Pretty Pest in Los Angeles

15 Sep

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Welcome to Hollywood, what’s your dream? What’s your dream?
Everybody has a dream!”

Recordo-me de durante toda a minha adolescência ter dois filmes favoritos, que via e revia em repeat mode. Começava sempre com o “Uma Mulher de Sucesso” com a Melanie Griffith (onde imaginava um futuro profissional onde seria “tramada” e “desvalorizada” mas no qual iria vencer) e terminava com “Um Sonho de Mulher” (“Pretty Woman”) para concretizar os meus sonhos cor-de-rosa onde surgiria o Meu Principe Encantado para me tirar da minha aldeia.

Dizendo isto, facilmente dá para perceber que a Vivian (o papel desempenhado por Julia Roberts no Pretty Woman) foi uma companhia constante em Los Angeles e mais especificamente em Hollywood. O Meu Gajo bem tentou entender e acompanhar… Mas não é nada fácil entrar na cabeça de uma adolescente de 14, 15 anos…

Mas… Antes de passear com a Vivian por Hollywood, tivemos uma viagem das Fiji até Los Angeles, que tendo durado cerca de 10 horas, nos possibilitou uma “viagem no tempo”: saimos de Nadi ás 22 e chegamos a Los Angeles antes das 15 horas do mesmo dia. O que fizemos? Tentamos dormir no voo e não conseguimos. Como nos sentimos ao final de dia 19? Pedrados de sono ainda não eram as 22 de dia 19 (em Los Angeles).

Retrocedendo.
Uma das coisas que me preocupava nesta fase da viagem era o aeroporto de Los Angeles. Quando conversamos com o Dan (o inglês que conhecemos nas Fiji que trabalha em projectos para companhias aeronáuticas) uma das coisas que comentou connosco foi que o aeroporto de Los Angeles é onde se perdem mais malas (considerando todos os aeroportos do mundo).
E perder malas ou vôos era algo que não nos podia acontecer nesta viagem. Os dias estavam tão contados, que um ou dois dias à espera de bagagem nos arruinava o destino seguinte.
Foi com um grande sorriso (de alivio) que vi as nossas malas surgir no tapete. Sobrevivemos à primeira fase do aeroporto de Los Angeles.
Fomos buscar o carro e seguimos para o nosso hotel – numa paralela a “Hollywood Boulevard”.

O Meu Gajo já tinha estado em Los Angeles e tinha-me dito que não era nada de especial. Mas na minha cabeça existia um “Mundo dos filmes” por descobrir, e foi por isso que ao passarmos pela Melrose Avenue foi impossível para mim não imaginar as miudas giras do Melrose Place (a entrar na casa dos trinta) a ir a bares giros e com os problemas tradicionais de miudas em busca do homem ideal. (Pois… O Melrose Place passa-se na Califórnia, e não em Los Angeles… Mas ao passar pela Melrose Avenue foi impossível não imaginar).
O caminho para Hollywood não é nada de especial. Aliás é engraçado que o que se sobrepõe a nível de paisagem são os campos de petroleo (estilo filme antigo) e as casas hispanicas (sim… Esta zona dos Estados Unidos transpira Mexico, Panamá e afins, quer pelo nome quer pela arquitectura – não tem nada a ver com o Estados Unidos que imaginava).
Nem é que possamos dizer que é feio, aliás no Panama achei a arquitectura interessante, é só que “não encaixa” ali.

Apenas quando entramos na zona hollywoodesca a arquitectura muda. Começam as avenidas largas, com vivendas bonitas e com jardins de sonho com estacionamento incluído (estilo Donas de Casa Desesperadas).

Finalmente descobrimos o nosso hotel. Em busca de algo barato e central, tinhamos arranjado um hotel 1 estrela a dois passos da Avenida das Estrelas.
E, que se pode esperar de um hotel 1 estrela?
Pois… Não sendo um motel dos filmes (aqueles locais anónimos para onde a malta foge quando comete um crime ou está a ser perseguido – estilo os quartos onde os irmãos daquela serie do AXN black que caçam espiritos maus costumam dormir), ficava bem perto, mas para pior… Estava limpo – sem dúvida – mas era apertado, com moveis velhos, transpirava a historias macabras (de filmes de segunda categoria), e nem sequer era barato… Mas foi o melhor que conseguimos.

Check in feito, comemos um hamburguer num dos sitios mais recomendados (era logo ali ao lado) e jogamo-nos à descoberta de Hollywood!
Hollywood Boulevard é só isto??
Como é que a Vivian arranjava aqui boa clientela?
Como é que o Richard Geere se perdeu aqui?
O “Passeio da fama” é isto?
É aqui que os actores de todo o mundo sonham em deixar uma pegada ou uma estrela?
C’um caraças! Em Cannes é tão mais bonito! Tem o mar em frente! Até em Hong Kong.
Aqui é um amontoado de estrelas numa meia rua (é que nem é uma rua inteira) e cerca de uma centena de quadrados de cimento com pegadas e assinaturas (os das ruas de Ubud eram mais interessantes e artisticos). E é só isto?
Parece tudo tão grandioso na TV e no cinema. O Chinese Theatre… Parece tudo tão apertado e pequeno que me foi dificil imaginar as centenas de limusines a chegar, e o tapete vermelho na noite dos oscáres.

Não digo que é um local feio! A quantidade de artistas na rua – passamos por Wolverines, Piratas das Caraíbas, Transformers, etc – é interessante e dá a sensação de filme. Musicos e bailarinos, Michael Jackson’s, inclusivé um homem carregava aos ombros uma giboia. Mas imaginava maior, mais grandioso, mais filme.
E na realidade o que se nos apresenta é quase uma especie de estudio cinematográfico, tipo “estás a ver? Nem sequer Hollywood é real… Tudo é filme, tudo é criado, tudo é artificial”.

Saí dali e nem posso dizer que estava desiludida. Era outro tipo de sentimento… Algo mais: enquanto não vais imaginas, quando vês percebes porque não é, mas ficas naquela: se eu fosse uma atriz que sonhasse com Hollywood e tivesse abandonado tudo para vir para cá arriscar a minha sorte, ao chegar ia ficar muito “foi por isto? O que é que aqui vim fazer?”

Não foram necessárias duas horas para sentir que Hollywood estava visto. Agora queria ver as letras de perto. Queria ir a Rodeo Drive com a Vivian. Queria ir a Beverly Hills com a Brenda, com o Brandon e com o Dylan (lembram-se da primeira versão da série Beverly Hills 90210 – anos 90?). Queria ir ver as miudas andar de patins em Santa Monica Beach.

E foi com estes desejos que começamos o dia seguinte.
Fomos em busca das letras.
Tinha de haver um local onde as conseguisse ver de perto.
Mulholland Drive?

Procurei nos mapas e no GPS os melhores locais para ver as letras. E o Meu Gajo tentou. A sério que tentou. Mas por mais que tentemos chegar perto, as letras são sempre pequenas e estão sempre longe. Porque é que nos filmes são tão grandes e ficam sempre à mão de semear?
Depois de muitas voltas termos dado, acabamos por desistir. Possivelmente é apenas mais uma coisa à Hollywood… Grandes? Só nos filmes. Para o comum dos mortais vai sempre ser algo inalcansável. Tira fotos… Mas ao longe.

Ponto seguinte? Santa Mónica Beach.
Não sei onde raio eu fui buscar a ideia dos patins…
Para além de mais um Sr com uma cobra, e outro Transformer, encontrei uma praia feia.
Uma praia feia com um estacionamento quase tão grande como ela.
Os arreadores? Ruas de lojas normais, centros comerciais…
Almoçamos por ali (pelos arredores) e depois aventuramo-nos pelo parque de diversões em cima da praia.
Encontamos os camarões do Forrest Gump (com os seus tenis e tudo), e o final da route 66!
Até este “fim da route 66” parece falso… Fica na entrada do parque de diversões (já depois da entrada para o estacionamento). Será este fim real? Não deveria ter terminado um pouco antes?

Real real foi mesmo a sobremesa deliciosa com que me presenteie! Uma especie de fartura gigante com doce de morango. Algo real por fim – montes de calorias para encher ainda mais as minhas calças!

Terminamos a tarde com um passeio de carro à beira mar. Descobrimos uns canais bem engraçados. Já meio fora de Los Angeles, uma especie de bairro residencial com canais (ruas). Não estilo Veneza, canais largos. Uma zona onde não me importava de viver.

De regresso ao hotel fazemos a primeira aproximação a Rodeo Drive, mas como eu queria caminhar lá com tempo (com a Vivian) resolvemos regressar no da seguinte.

Não nos apetecia aperaltar para jantar ou beber um copo, pelo que decidimos terminar o dia nos Universal Studios.
Estes podem ser visitados durante o dia, e inclusivé é possível ir assistir a filmagens e zona VIP. Mas, o bilhete é caro, e honestamente nem é muito a nossa onda.
Acabamos por ir lá apenas jantar e ao cinema.
O filme não era nada de especial, mas era o unico em IMAX 3D, e nós estavamos curiosos.
A conclusão da noite? 3D IMAX é muito melhor que o normal. Desde os ocúlos até à sensação 3D. Normalmente temos a sensação das pipocas estarem a chegar a nós (aquela publicidade que passa sempre no inicio?), com o IMAX quase parece que andam à nossa volta. Muito fixe mesmo!

O ultimo dia começou com a esperada visita a Rodeo Drive.
Fui com a Vivian, mas o filme dela pareceu-me tão irreal…
Sim, Rodeo Drive tem mais lojas de luxo por metro quadrado do que outro local, mas… É só mesmo num bocadinho de rua!
As paralelas lembram-me a baixa de Zurique com lojas comuns.
Os carros? Sim, carissimos, mas as mulheres não eram deslumbrantes nem transpiravam luxo – aliás eramos quase só turistas.
E o hotel do “Pretty Woman”… Bem, recordo-me que era um Four Seasons e só encontrei dois em Beverly Hills. E olhei olhei, e em nenhum vi a varanda daquela parte do filme em que a Vivian se senta no parapeito e diz “No hands No Hands!” quando o Richard Geere stressa com as alturas.
O Meu Gajo já náo me podia ouvir, mas a verdade é que dei a volta ao Four Seasons da Rodeo Drive a olhar para as varandas do hotel. Nem na Penthouse sem em qualquer outro dos pisos. A varanda não existe.
Mais uma ilusão de Hollywood… E não fui lá dentro, pois possivelmente nem a banheira é tão grande como parecia no filme…
Enfim.
Seguimos até Beverly Hills… E… Não se vê nada!
Quas casas deslumbrantes?
Só se for de helicopetro!
É porque os portões e as plantas/arvores/arbustos das casas são tão altas que apenas o que se vê é verde.
Que as casas estão lá acredito, mas vê-las é mentira.
Mas, mesmo assim não deixa de ser um passeio interessante! Beverly Hills, Bel Air, é incrivél a vegetação (quase tropical) que ali colocaram e mantêm. A paisagem fora dali é seca. No entando naquele “pequeno mundo à parte” é de um verde saudável que dá gosto ver.

Ainda fomos até ao Centro de Los Angeles, mas foi outra coisa estranha. Entra-se para uma zona nova e quase empresarial (escritórios e empresas) e sem darmos por ela passamos para a “old town” que é composta por prédios altos, “velhos”, feios que recordam as construções de Lisboa nos anos 70 (os mamarrachos que “embelezam” partes da cidade)… E sem dar menos por ela passamos para bairros manhosos às portas da cidade. Estes já sem ar mexicano, mas com um ar que nem sei – zona industrial manhosa?

Voltamos para a Costa e fizemos mais uns kms à beira mar. As praias? Parece uma única sempre igual… Continuação de Santa Mónica. Nada de especial, e a verdade é que não convida sequer a molhar os pés.

Seguimos para o aeroporto.
Voo para Las Vegas às 18.
Despeço-me da Vivian. Deixo-a ficar no nosso mundo “Pretty Woman”. Lá Hollywood, Rodeo Drive é um mundo bem mais bonito.
Sim, nos filmes, nas séries, na TV, Los Angeles é bem mais bnito.

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